sexta-feira, 11 de março de 2011

O QUE A EMPRESA GANHA COM A GESTÃO DA QUALIDADE?



Olá! Hoje o tema abordado está relacionado diretamente em uma área um tanto quanto conhecida pelas empresas por sua capacidade de estar à frente de ações relacionadas à melhoria continua da Qualidade, ou seja, já pensou como seria a sua empresa hoje sem a Gestão da Qualidade?

Abaixo relacionei alguns fatores que considero muito importante para uma empresa, e isso se torna possível quando a mesma tem em sua estrutura um setor de Gestão da Qualidade muito bem estruturado com profissionais determinados nas atividades e não podemos esquecer que este setor depende também de ter uma estrutura adequada para suas necessidades.

- Objetividade no desempenho de metas

Como seria ter metas definidas sem ter acompanhamento dos resultados e das ações que contribuíram para estas realizações? Por isso digo que objetividade esta atrelada não somente na meta, mas sim, fazer acontecer. Isso é um problema, quando ações são promovidas aos ventos, sem registros e acompanhamento, pois os históricos dos ganhos se perdem, e isso é claro a história da empresa relacionada à melhoria também.

- Padronização de seus procedimentos internos

Uma coisa é apresentar um determinado processo e outra é treinar e qualificar este mesmo processo com dados e informações padronizadas, lembre-se que todo o processo deve estar formalizado como um procedimento com objetivo de adequar suas etapas e este mesmo procedimento servirá como manual deste já citado processo.

- Avaliação continua de resultados

Resultados devem estar atrelados por uma ação determinada por uma necessidade, então avaliar este comportamento é necessário, e sempre quando os resultados não atingir o desejável, devemos analisar e planejar novamente, portanto a Gestão da Qualidade tem a função de juntamente com demais setores tornarem esta ação um hábito diária.

- Adequações de melhorias internas

Uma das funções de um setor de Gestão da Qualidade é estar envolvido na melhoria interna e externa da empresa, pensando sempre que melhorias devem estar de fato envolvidas nos ganhos de uma organização, para isso é sempre muito bom estar diretamente a Gestão da Qualidade ligada aos processos de produção, onde os profissionais sempre tem algo a dizer, e ouvir é um dos pontos chaves do sucesso, porém a melhoria esta sempre dependendo de um fluxo, sendo ele:

1.Ouvir ou detectar a necessidade de melhoria;
2.Analisar
3.Planejar ação
4.Avaliar os resultados.
- Representação

O Representante da direção é sempre o funcionário da empresa conhecido também como Gestor da Qualidade, analista da Qualidade e ou conforme determinação da empresa responsável pela administração deste setor, lembrando que o Gestor da Qualidade deve estar sempre voltado para as atividades da Qualidade, ou seja, processos de implementação, Gestão, treinamento e auditorias internas e externas diante de uma certificadora para o processo de certificação ou manutenção de um certificado normalizado e outras atividades oriundas deste cargo, mas onde a empresa ganha com este funcionário? Este funcionário este sempre focado no tema Qualidade e a excelência deste setor para melhores resultados da empresa.

Os resultados sempre estão atrelados à direção de uma empresa, onde resultados devem ser vistos como ganhos, mas muitas vezes este resultados necessita-se de investimentos, avaliar investimentos sempre requer um tempo, mas enfim a Gestão da Qualidade não deve ser acumulo de funções e se necessário este setor devem ser desenvolvido em grupo, seja na parte de documentação, metrologia e outros, mas depende da visão de cada empresa.

Mas embora estes argumentos já citado, eu ressalto que muitas empresas tiveram ótimos ganhos e até mesmo crescimento resultante deste setor, a visão da direção da empresa é determinante para este sucesso, mas como profissional da área por mais de 10 anos, digo, empresas são resultantes da ação humana, e claro, ter um grupo falando todos os dias sobre Qualidade e sua excelência não é nada ruim.

Lembre-se de que Gestão da Qualidade é sempre ações e resultados. Se sua empresa não tem ainda um setor com foco na Gestão da Qualidade, procure um profissional desta área, pois seus resultados irão mudar rapidamente, porém é válido lembrar que a Qualificação deste funcionário deve estar sempre em pauta, pois a visão deste é baseada em sua formação.

Enfim os ganhos com este setor são infidáveis,dependendo da parceria de um profissional Qualificado e a direção da empresa.



Zafenate P. Desidério
Idealizador/Fundador e editor de Conteúdo
Linkedin


CALIBRAÇÃO NÃO É LENDA - Darcio Calligaris

Trabalhei por décadas em industrias farmacêuticas nacionais e multinacionais em nível de supervisão e gerência, e durante todos estes anos vivi diversas situações, e como resultado me tornei um contador de histórias alegres e tristes dos bastidores da industria farmacêutica.

Vamos a uma história verídica, atualmente alguns chamam de "cases", outros de "casos", relacionando o passado e o presente :

Considerando aproximadamente 10 anos atrás, na maioria das empresas não havia departamento de engenharia, existindo apenas a manutenção, tampouco dava-se importância a calibração, qualificação e validação.

Na verdade existiam competentes e criativos mecânicos, eletricistas, que davam o máximo de si para que as máquinas e equipamentos apresentassem grande produtividade, com suas "gambiarras" altamente criativas, muitas delas foram copiadas por fabricantes de máquinas como inovação. As industrias farmacêuticas, cosméticas e alimentícias deveriam homenagear estes senhores, muitos já devem ter se aposentados, eram os melhores assessores dos químicos e farmacêuticos que ocupavam posição gerencial, e desconheciam manutenção, mas que tinham que ser altamente produtivos, utilizando principalmente a mão de obra e equipamentos manuais e semi-automáticos disponíveis.

O resultado da não calibração e qualificação,"gerava" e "ainda gera" grandes prejuízos as empresas devido a produtos, reprocessados, rejeitados, além de grande perda de produtividade, julgamentos não corretos, perda de tempo, doença nos funcionários, acidentes fatais, estresse, representando um baixo custo benefício, além de grande prejuízo, sendo o ser humano considerado culpado por este prejuízo e pagar com sua demissão este prejuizo, sendo que a causa estava escondida embaixo do tapete.

Com o surgimento das normas de BPF, e ISO, algumas empresas conscientes e preocupadas com a qualidade e não apenas com o lucro começaram a se preocupar com a calibração, qualificação e até com validação.

Confesso que o Farmacêutico ou Químico , não são profissionais competentes para realizar estes trabalhos de calibração, qualificação e validação que é de competência de engenheiros e técnicos mecatrônicos, elétricos, eletrônicos e mecânicos.

O Farmacêutico, O Químico, devem estar preocupados com o medicamento, cosmético, alimento, no que se relaciona com "a qualidade, segurança e eficácia" e são suas obrigações controlar para que todos os processos industriais respeitem as BPF, sendo que a responsabilidade da calibração, qualificação e validação é da Engenharia, executar, e garantir, desta forma dando um suporte ao Farmacêutico e Químico, para que o produto apresente qualidade, segurança e eficácia, além de grande produtividade, sem reprocessos, rejeições e acidentes fatais.

Quando me referi a acidentes fatais, durante minha atuação em industria farmacêutica tive conhecimento de muitos, e recentemente tivemos alguns, com óbito e outros acidentes com perda ou inutilização de órgãos, desta forma acidentes ainda ocorrem por falta prevenção quanto a qualidade, tanto em relação aos processos, equipamentos e mão de obra, resultando também em prejuízos, tanto pela empresa como para o consumidor.

A causa mais provável nestes acidentes é a falta de manutenção e principalmente a calibração, entretanto, os Industriais e alguns Gerentes não interessados, que não desejam investir neste tipo de atividade, ou pelo custo de contratação de mão de obra especializada , ou por

falha da fiscalização no que se refere a especialização dos inspetores em calibração.

Muitas empresários e gerentes pensam que estai fazendo um bom negócio, e não desejando investir em terceirização a empresas credenciadas, ou contratando e criando um setor especializado e acreditado em calibração, desenvolvem a própria equipe interna, muitas vezes com o pessoal da manutenção contratado para fazer a manutenção corretiva e preventiva, investem em equipamentos caros, porém não tem mão de obra especializada e nem credenciadas pelos orgãos metrológicos governamentais, uma acreditação do INMETRO é um ritual, portanto, seguem, "me engana que eu gosto", e muitas vezes sem padrões vão desperdiçando tempo, e muitas vezes não conseguem calibrar equipamentos que necessitam de uma manutenção prévia antes da calibração, imaginem apresentarem estes relatórios numa inspeção da Avisa com inspetores especializados em calibração.

Outros contratam empresas que sabem que existe um grande nicho de negócio que é a calibração e qualificação e resolvem montar uma empresa terceirizadora de calibração, entretanto, não são credenciadas pelos orgãos metrológicos oficiais.

Os mais conscientes e preocupados com a qualidade, segurança, eficácia, produtividade, indice zero de acidentes, sem reprocessos, rejeições, devoluções, e desperdícios, contratam empresas terceirizadas credenciadas pelos orgãos oficiais de metrologia, e na verdade estam trabalhando com profissionais altamente competentes que garantem um trabalho de calibração, qualificação e validade a sua empresa com grande redução de custos. Enfim acabou o prejuízo, e com um investimento em qualidade, consegue-se agregar valor.

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), publicou em 16 de Abril de 2010, a RDC nº 17, de Boas Práticas de fabricação onde a calibração faz parte do sistema de BPF que irá ser auditado..

Será que a ANVISA tem conhecimento de que para se calibrar, quem "executa a calibração" deve ser credenciado pelos Orgãos Metrológicos Governamentais.

Como a história sempre se repete coloco para reflexão:

O " RISCO SANITÀRIO" causado por uma autoclave NÃO CALIBRADA de injetávéis estéreis e apirogênicos é o mesmo do que um medicamento falsificado.

O " RISCO SANITÀRIO"causado por um sistema de computação NÃO CALIBRADO, é o mesmo que o de uma camara climática não calibrada.

Assim por diante !!!!!!!!!!!!!!!!

E como ainda não aprendemos com os nossos erros, segue uma famosa frase : " Naquela avenida morreram muitas pessoas ao atravessá-la, após a construção de uma ponte ninguém mais morreu.

Darcio Calligaris
Farmacêutico-Bioquímico, Universidade de São Paulo, mais de 30 anos de experiência em gerência em Industria Farmacêutica, em especial a Desenvolvimento Farmacot